Manaus de domingo, primeira vez na cidade, passagem para Novo Airão e depois Parque Nacional do Jaú. Impressões de passante com olhar aberto e tranqüilidade além pauta, sem destino nem pré-informações, deixando se levar pelo povo simples e alegre. Seu Andrade, capixaba, que já foi para o sul e me diz que quando lá se chega “parece que o coração se abre, de tanto espaço, não tem esse mato todo pra prender a gente”. Seu Elias, carregador do porto me conta que vê coisa boa nos meus olhos e que a felicidade não vem do que vestimos e possuímos, simplicidades extrema que investiga se sou antropóloga por causa da câmera e depois me desejando uma boa viagem, com um sorriso desalinhado me segue com os olhos até o mercado de peixes. Gente, gente, gente, música alta se mistura com mega fones no porto regional com barcos lotados de pessoas e mercadorias para seguir pelo rio Negro por dias. Pés descalços ou com havaianas, cheiro forte de fruta podre e gente vencida, sensações que não me foram desagradáveis, mas parte da paisagem essencial para sentir o todo do porto. Domingo de pessoas nas ruas, da feira da Av. Eduardo Ribeiro.Barcos saem de tempo em tempo para Cacau Pirera, município do outro lado do rio Negro, a meia hora de Manaus. Foram as primeiras casas flutuantes que vi, e no meio de mais gente, muitas crianças. Crianças se misturando com balsas que transportam carros e ônibus, praia quase pequena demais pra pessoas, barcas, balsas e barcos a remo. Sentada num canto da paisagem me deixei ser absorvida por ela, ouvindo os sons e sentindo cheiros, o Rio Negro sendo o motivo dessa Manaus domingueira.